Não acho que a vida seja um grande jogo
Ou um grande teatro
Ou um grande palco
Ou qualquer uma dessas baboseiras.
Pra isso existe a ficção.
A vida pra mim é outra coisa.
Ver a morte de perto e com tanta frequência me faz sentir a vida como a coisa mais crua que existe entre as outras.
A mágica existe, a poesia existe, as cores, e tudo o mais que pode ser colocado como acessório à vida para torná-la mais adornada. E isso eu acho bom e necessário.
Mas essas coisas são a parte, não são a vida em si, pra mim.
E pra mim, não entender o caráter cru da vida e a importância dele tira o sentido do uso do além-cru para adornar a vida. Fica incompleto, fica imaturo, falta.
Assim como a morte não tem nada de poético, nada de glorioso. Não tem glamour, não tem redenção, não tem nada dessas coisas literárias e idealizadas. A morte é fria, feia e crua. Pra mim, sua beleza está justamente aí.
Acho importante a compreensão disso. O sangue, a dor, o sofrimento, o desespero e a loucura estão aí. Carregam-se na morte, coladas na vida.
Não é amargura. Não é achar que a alegria, a beleza, a leveza não existam e não sejam importantes. Muito pelo contrário.
É reconhecer o lugar e a importância das coisas.
Simbólica ou concretamente, "Almost dying changes nothing. Dying changes everything".
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