quarta-feira, 19 de março de 2014

Cru

Não acho que a vida seja um grande jogo

Ou um grande teatro

Ou um grande palco

Ou qualquer uma dessas baboseiras.

Pra isso existe a ficção.

A vida pra mim é outra coisa.

Ver a morte de perto e com tanta frequência me faz sentir a vida como a coisa mais crua que existe entre as outras.

A mágica existe, a poesia existe, as cores, e tudo o mais que pode ser colocado como acessório à vida para torná-la mais adornada. E isso eu acho bom e necessário.

Mas essas coisas são a parte, não são a vida em si, pra mim.

E pra mim, não entender o caráter cru da vida e a importância dele tira o sentido do uso do além-cru para adornar a vida. Fica incompleto, fica imaturo, falta.

Assim como a morte não tem nada de poético, nada de glorioso. Não tem glamour, não tem redenção, não tem nada dessas coisas literárias e idealizadas. A morte é fria, feia e crua. Pra mim, sua beleza está  justamente aí.

Acho importante a compreensão disso. O sangue, a dor, o sofrimento, o desespero e a loucura estão aí. Carregam-se na morte, coladas na vida.

Não é amargura. Não é achar que a alegria, a beleza, a leveza não existam e não sejam importantes. Muito pelo contrário.

É reconhecer o lugar e a importância das coisas.


Simbólica ou concretamente, "Almost dying changes nothing. Dying changes everything".

domingo, 16 de março de 2014

Ainda sem título

Não é a ida
É a surpresa

Não é perder alguém, próximo ou não
que dói
desespera
inquieta
revolta

é a vida nos colocando no nosso lugar
nos mostrando que a gente no fim das contas não controla porra nenhuma

e que a qualquer momento....

...

a Morte tem seu próprio cronograma
nenhum chefe ditando seus horários...

profissional liberal e autônoma
gosta de esconder seus planos dos seus futuros clientes

para desespero dos ainda futuros
e alívio dos que se tornam presentes...

é isso que dói.